Sobre O Livre-arbítrio

Trata-se de uma profunda investigação filosófica a respeito da liberdade humana e da origem do mal moral, que se desenvolve brilhantemente na forma de um diálogo entre Agostinho e seu irmão na fé Evódio, posteriormente sagrado bispo de Upsala, na África
De libero arbitrio é um livro em três volumes escrito por Santo Agostinho no período de 387-395 d.C., em Roma, logo após ter sido batizado. Trata-se de uma profunda investigação filosófica a respeito da liberdade humana e da origem do mal moral, que se desenvolve brilhantemente na forma de um diálogo entre Agostinho e seu irmão na fé Evódio, posteriormente sagrado bispo de Upsala, na África. Com o passar dos séculos, a obra tornou-se leitura fundamental no campo da filosofia, não só porque explica racionalmente a origem do pecado, fundamentando-o no abuso da liberdade, mas também porque apresenta, no Livro II, uma prova inconteste da existência de Deus por via puramente racional. Praticamente nenhum comentador medieval ou posterior que tenha se lançado sobre essas mesmas questões prescindiu desta investigação de Santo Agostinho. Dado que são temas atemporais, também hoje se pode afirmar com segurança que a leitura de De libero arbitrio é fonte certa para aprendizados valiosos e sempre novos.
Resumo do Livro Sobre o Livre-Arbítrio de Santo Agostinho
O livro Sobre o Livre-Arbítrio (De Libero Arbitrio), escrito por Santo Agostinho entre 388 e 395 d.C., é uma obra filosófica e teológica que aborda a questão do livre-arbítrio humano em relação ao problema do mal e à providência divina. Dividido em três livros, o texto é estruturado como um diálogo entre Agostinho e seu amigo Evódio, explorando temas como a origem do mal, a liberdade da vontade e a justiça de Deus.
Livro I
- Agostinho inicia investigando por que os seres humanos cometem o mal. Ele argumenta que:
- O mal não é uma substância ou algo criado por Deus, mas uma privação do bem, resultante do mau uso do livre-arbítrio.
- A liberdade da vontade é um dom divino, mas os homens pecam quando escolhem desviar-se do bem supremo (Deus) para bens inferiores.
- Deus não é responsável pelo mal; a culpa recai sobre as escolhas humanas.
Livro II
- O foco muda para a natureza do livre-arbítrio e sua relação com a verdade e o conhecimento:
- Agostinho defende que a razão e a busca pela verdade (como a existência de Deus) são evidências da liberdade interior do homem.
- Ele usa argumentos filosóficos para provar a existência de Deus como o Bem supremo e eterno, fonte de toda ordem e bondade.
- O livre-arbítrio é essencial para que o homem possa amar e buscar a Deus voluntariamente.
Livro III
- Agostinho aprofunda a questão do porquê Deus permite o mal, mesmo tendo dado o livre-arbítrio aos homens:
- O pecado original (de Adão) corrompeu a natureza humana, mas o livre-arbítrio permanece, embora enfraquecido.
- A justiça divina pune o pecado justamente, enquanto a misericórdia de Deus oferece redenção.
- O mal no mundo é um mistério que se encaixa no plano maior de Deus, escapando à compreensão humana plena.
Ideias Centrais
- O livre-arbítrio é um bem dado por Deus, mas seu mau uso leva ao pecado e ao mal moral.
- Deus não é culpado pelo mal; este surge da escolha humana de se afastar do bem.
- A liberdade humana é necessária para a virtude genuína e para o amor a Deus.
- Há uma harmonia entre a presciência divina e a liberdade humana, embora isso seja um paradoxo difícil de resolver completamente.
Contexto e Relevância
Essa obra reflete o esforço de Agostinho para reconciliar a filosofia (influências neoplatônicas) com a teologia cristã, sendo um marco em sua trajetória intelectual antes de sua obra mais famosa, Confissões. É um texto fundamental para entender seu pensamento sobre liberdade, moralidade e a relação entre o homem e Deus.
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